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Olhares



Às vezes eu encaro profundamente dentro de alguns olhos para tentar decifrar a alma, ou simplesmente o que eles têm a dizer, mas nada vejo. Alguns fogem. Fogem de mim? Não sei, só correm. Alguns nem voltam. 
Na maioria das vezes sou obrigada a ocultar meus castanhos míopes, para ver se alguém se aproxima. Se alguém surge afim de tentar entendê-los. Como em um tempo distante, e põe distante nisso, quando eu deixei alguém unir meus olhos aos seus, mas eram almas muito distintas. Incompreensíveis por si. Não se entendiam. Não se apaziguavam. Desejavam-se? Sim, mas não foi suficiente. 
Então nossos olhares desviaram-se. Mudaram. Perderam o brilho único compartilhado. Muito raramente, eles se esbarram, e continuam com o fulgor de querer entender um ao outro. Contudo, a decepção não é consoladora; é condenadora.


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